Superliga (enfim) mais disputada

O campeonato paulista já estava rolando há algum tempo, mas assisti ao primeiro jogo pela televisão só no dia 12 (não tenho certeza, mas acho que foi o primeiro a ser televisonado). Uma disputa que promete dar mais competitividade não só ao paulista, mas principalmente à  próxima temporada da Superliga feminina: Sollys/Osasco x Amil/Campinas.

A 19ª edição da Superliga começa em novembro e contará com 10 times femininos: Praia Clube, Rio de Janeiro, Campinas, Osasco, Pinheiros, São Bernardo, São Caetano, Sesi, Rio do Sul e Minas.

A esperança trazida pelo recém formado time do Campinas é que as próximas finais da Superliga não sejam mais tão monopolizadas entre Osasco e Rio de Janeiro. O crescimento do time do Sesi, que fez novas contratações (a central Fabiana e a oposta Tandara, por exemplo) e chega mais entrosado para essa temporada, também promete esquentar a disputa.

Voltando ao jogo do paulista, Campinas tem expectativas positivas. Treinado pelo tri-campeão olímpico José Roberto, o time tem veteranas como Waleswka, campeão olimpíca em Pequim, a levantora Fernandinha, campeã em Londres, a central Natasha, ex-Minas e a cubana Daymi Ramirez. Além de jovens promessas como Priscila Dairot e Ju Nogueira. Ontem também  foi oficializada mais uma contratação : Vasileva, ponta da seleção da Bulgária. Ainda é cedo para medir resultados, mas à medida que o entrosamento aumente, a expectativa é que o time brigue pelas primeiras colocações.

Já o Osasco que tinha um forte time na temporada passada, se reforçou ainda mais. Fazendo jus ao apelido de “SeleOsasco” entoado pela torcida, o elenco é praticamente a Seleção Brasileira toda. Isso porque além de Jaqueline, Sheila, Thaisa e Fe Garay, a líbero Camila Brait e a levantora Fabíola também já integraram o grupo da seleção, foram cortadas às vésperas da Olimpíada.

O jogo do dia 12 foi vencido por 3×0 pelo Osasco. Resultado mais que natural de um time já acostumado a jogar junto (quer seja no Osasco ou na seleção). Mas o Campinas ainda guarda boas surpresas nos próximos meses.

Crá Crá Crá!

A terra da pamonha está em festa. O XV de Piracicaba, depois de muita tensão, permanece na primeira divisão do Paulista. Parece meio descabida uma comemoração tão efusiva pelo livramento da degola quando há pouco menos de um ano a torcida festejava o acesso.

Mas a comemoração é perfeitamente compreensível. Com baixo orçamento, o XV venceu as contusões dos seus principais reforços, superou a instabilidade que apresentou em campo na maioria dos jogos disputados e coroou o trabalho de Estevam Soares, que ganha status de rei do interior, junto com Vadão.

Os dois últimos jogos foram decisivos. Conseguiu a vitória em casa diante da Ponte e segurou o resultado fora, no jogo contra o Mogi Mirim. O saldo final é esse: em 2013, ano do seu centenário, o XV permanece na elite do futebol paulista, relembrando seus tempos de glória.

Parabéns ao Nhô Quim e à torcida linda do Quinzão!

O Osasco é penta

Depois do último jogo da semi-final feminina que classificou o Rio de Janeiro, a sensação foi unânime entre todos que acompanham o vôlei. Nunca mais na história deste país haverá uma final da superliga diferente. O maior clássico mundial entre clubes do vôlei feminino se repetiria mais uma vez.

O que se viu neste sábado, porém, foi um jogo diferente. A começar pelo placar: 3X0 para uma final de superliga com esses dois times é surpreendente. O Osasco massacrou e o Rio não esboçou sequer resistência. Com uma linha de passe perfeita (contei apenas um saque do Rio que quebrou a recepção de Osasco), Fabíola trabalhou com a bola na mão em todas as jogadas. Utilizou muito bem as centrais e as bolas rápidas de ponta. Nas bolas de segurança, Hoocker estava lá, impecável. O que dizer dessa atacante? É lindo vê-la jogando: passa por cima do bloqueio em quase todos os ataques, que têm uma plástica belíssima. Os movimentos são perfeitos, o braço vem de trás e consegue executar a volta completa até que bata na bola, cravando na quadra adversária.

E não é só de gigantes que vive o Osasco. Camila Brait irretocável no fundo de quadra. Pegou todas as bolas, deu volume de jogo ao time. Mostrou que está na hora de José Roberto Guimarães repensar na titularidade da líbero da seleção. Jaqueline, apesar de uma atuação apagada no ataque, revelou estar no momento mais maduro da carreira. Quando ela sabe que não é o seu dia no ataque, colabora no fundo de quadra e faz o Osasco ter um volume de jogo incrível.

O Rio, apesar de ter Venturini, não conseguiu suprir sua deficiência no passe, e aí, não há craque que faça milagres. Sheila jogou muito, virou as bolas importantes de sempre, mas não foi suficiente. Merecidamente, o Osasco conquistou seu penta campeonato da superliga.

Alguns detalhes extra-quadra:

– Bernardinho, pra não perder o costume, esbravejou. Disse aos repórteres que o título de melhor levantadora deveria ser de Fernanda Venturini e a que a federação deveria homenageá-la pelos serviços prestados. Desculpa, Bernardo, mas essa superliga foi da Fabíola. Impecável na final e visivelmente mais madura. Concordo com a homenagem à Venturini, mas quem garante que desta vez a aposentadoria é definitiva? Já foram quatro. Ainda temos tempo hábil para que esse reconhecimento seja feito.

– o patrocinador do Osasco, a Nestlé, preparou camisetas especiais para a comemoração, mas cometeu uma gafe. A inscrição dizia: Bi-campeão, referindo-se aos títulos ganhos pela equipe sob o patrocínio da empresa. Muito bacana a ideia da camisa e o apoio financeiro ao time, mas a Nestlé não pode ignorar a história de 15 anos dessa equipe. O Osasco é penta!

O paradigma do levantador polêmico

Não era o dia dele, o Vôlei Futuro tomou um sonoro 3×0 em casa e, mesmo assim, aquela necessidade gratuita de atenção veio à tona de novo. Ricardinho, o levantador das polêmicas desde tempos de seleção brasileira, voltou a aparecer.  No terceiro set, depois de virar uma bola de segunda, o levantador provocou Dante, ex-companheiro de seleção e riu de maneira irônica e prepotente do time adversário.

Boatos dão conta de que ele aguarda a convocação para a seleção, depois de um longo inverno distante por causa de brigas internas com os companheiros e com o próprio Bernardo. Culpado por ter ‘rachado’ o grupo, ele parece não ter se redimido. No Vôlei Futuro, as orientações do técnico Cesar Douglas são visivelmente ignoradas e o levantador parece ter total controle sobre o time.

Casos de polêmica na posição não se restringem só a ele. No feminino, Venturini também leva a fama de ‘não bem quista’ no meio. Nas Olimpíadas de 2004, durante um de seus retornos de aposentadoria, encabeçou o movimento que ‘queimou’ a ponteira Mari, jogando sobre ela a responsabilidade pela derrota e instaurando a crise na seleção, depois daquele jogo fatídico e da eliminação contra a Rússia.

Nas seleções feminina e masculina, a sucessão dos levantadores parece seguir – ironicamente – uma ordem inversa de características. Maurício, o precursor de Ricardinho, fazia o estilo bom moço, jogador agregador de equipe. A mesma postura de Fofão, que assumiu a posição quando Fernanda se aposentou. Atualmente, com as instabilidades nas posições das duas seleções (Fabíola e Dani Lins / Bruninho e Marlon), ainda não se pode decretar o veredicto. Mas as cenas dos próximos capítulos dirão se Bernardo vai optar por um time fechado e consolidado ou dar o braço a torcer e lidimar Ricardinho como o melhor do mundo na posição.

Quando o futebol encontra a poesia. Parabéns, Divino

Ademir da Guia
(João Cabral de Melo Neto)

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando

o mais irrequieto adversário.

“Museu de Tudo”, 1975