Quando o futebol encontra a poesia. Parabéns, Divino

Ademir da Guia
(João Cabral de Melo Neto)

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando

o mais irrequieto adversário.

“Museu de Tudo”, 1975