Sobre o blog

A ideia de manter um lugarzinho com uns escritos sempre existiu. A diferença é que agora – também por questões profissionais – passou a ser compartilhado. Do caderninho pra cá. Sem pretensões e expectativas. Literatura, futebol, crônicas do dia a dia, tudo junto.

Sempre que penso nesse negócio de escrever, me vem à cabeça o texto do Drummond:

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha.”

(…)

Você esperando que os outros vivam, para depois comentá-los com a maior cara-de-pau. Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Ah, você participa com palavras? Sua escrita — por hipó­tese — transforma a cara das coisas, há capí­tu­los da His­tó­ria devi­dos à sua maneira de ajun­tar subs­tan­ti­vos, adje­ti­vos, ver­bos?

Não é reda­tor de bole­tim polí­tico, não é comen­ta­rista inter­na­ci­o­nal, colu­nista espe­ci­a­li­zado, não pre­cisa esgo­tar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afi­ado como a boa pei­xeira per­nam­bu­cana. Você é o mar­gi­nal ameno, sem res­pon­sa­bi­li­dade na ins­tru­ção ou ori­en­ta­ção do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obri­ga­ção de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entre­tanto, aí está você, cas­murro e indis­posto para a tarefa de encher o papel de sinai­zi­nhos pre­tos. Con­cluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, por­que ao assunto deve cor­res­pon­der certo número de sinai­zi­nhos, e você não sabe ir além disso, não corta de ver­dade a bar­riga da vida, não revolve os intes­ti­nos da vida, fica em sua cadeira, assun­tando, assun­tando…” (Carlos Drummond de Andrade, “Escrever é triste”).

E, além de tudo isso,  tá perdido ali no meio: ” (..,) E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação“. É ou não é encorajador?

Sejam bem-vindos!

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