O caso Lobão x Mano Brown ou A redenção de Paulo Lins

Em 2007, Paulo Lins era uma das estrelas da FLIP. Dividiu a mesa 19, “Sobre meninos e lobos”, com Ishmael Beah. A certa altura da conversa, o mediador pediu ao escritor carioca para contar como a poesia havia entrado na vida dele, dividindo espaço com o samba, que ele tinha contato desde pequeno no morro. Era a oportunidade perfeita [e, também, a intenção do mediador] para que Paulo levantasse a bola da sua comunidade, contando sobre os projetos sociais que incluíam o ensino de poesia e coisas do tipo. Mas, numa resposta que lhe garantiu a presidência do Clube dos Ego-Trip do Brasil, o escritor mandou na lata: “Acontece que eu já nasci poeta”.

Pronto, o estrago tava feito. Encontrei com ele por diversas outras vezes em eventos e palestras que foram até legais, mas a bendita da frase ego-trip martelava na minha cabeça e impedia aquela empatia que todo mundo tinha por ele desde a publicação de Cidade de Deus.

Mas eis que o mundo dá voltas e nada como outra FLIP para remediar o caso.

lobao_flip2013

Na última sexta-feira, depois de participar de uma mesa com André Barcinski na Casa de Cultura, em Paraty [que faz parte da programação paralela da festa], Lobão caminhava pelas ruas da cidade a procura de um lugar para jantar. Já havia vociferado, como de costume, as barbaridades que costuma dizer a torto e a direito na palestra e, nas ruas, parecia uma celebridade: chamava a atenção por onde passava com seus quase 2m de altura e cabelo desgrenhado e atendia atenciosamente aos fãs que o paravam no caminho.

Quando estava quase chegando ao restaurante Bartholomeu, que fica a uma quadra da Praça da Matriz, avistou Paulo Lins, que estava parado nas mesinhas em frente ao lugar. Sem pestanejar, o carioca sucumbiu ao mantra universal ‘perco o amigo, mas não perco a piada’, colocou as duas mãos em torno da boca e gritou para quem quisesse ouvir: “Mano Brown, Mano Brown, olha o Lobão dando sopa aqui!”.

Tá perdoado, Paulo Lins!


* Infelizmente, não presenciei a cena. Mas ela foi relatada por um casal de amigos que viu – e riu – de tudo.
** Para quem quiser ler sobre o caso Lobão x Mano Brown

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