O Osasco é penta

Depois do último jogo da semi-final feminina que classificou o Rio de Janeiro, a sensação foi unânime entre todos que acompanham o vôlei. Nunca mais na história deste país haverá uma final da superliga diferente. O maior clássico mundial entre clubes do vôlei feminino se repetiria mais uma vez.

O que se viu neste sábado, porém, foi um jogo diferente. A começar pelo placar: 3X0 para uma final de superliga com esses dois times é surpreendente. O Osasco massacrou e o Rio não esboçou sequer resistência. Com uma linha de passe perfeita (contei apenas um saque do Rio que quebrou a recepção de Osasco), Fabíola trabalhou com a bola na mão em todas as jogadas. Utilizou muito bem as centrais e as bolas rápidas de ponta. Nas bolas de segurança, Hoocker estava lá, impecável. O que dizer dessa atacante? É lindo vê-la jogando: passa por cima do bloqueio em quase todos os ataques, que têm uma plástica belíssima. Os movimentos são perfeitos, o braço vem de trás e consegue executar a volta completa até que bata na bola, cravando na quadra adversária.

E não é só de gigantes que vive o Osasco. Camila Brait irretocável no fundo de quadra. Pegou todas as bolas, deu volume de jogo ao time. Mostrou que está na hora de José Roberto Guimarães repensar na titularidade da líbero da seleção. Jaqueline, apesar de uma atuação apagada no ataque, revelou estar no momento mais maduro da carreira. Quando ela sabe que não é o seu dia no ataque, colabora no fundo de quadra e faz o Osasco ter um volume de jogo incrível.

O Rio, apesar de ter Venturini, não conseguiu suprir sua deficiência no passe, e aí, não há craque que faça milagres. Sheila jogou muito, virou as bolas importantes de sempre, mas não foi suficiente. Merecidamente, o Osasco conquistou seu penta campeonato da superliga.

Alguns detalhes extra-quadra:

– Bernardinho, pra não perder o costume, esbravejou. Disse aos repórteres que o título de melhor levantadora deveria ser de Fernanda Venturini e a que a federação deveria homenageá-la pelos serviços prestados. Desculpa, Bernardo, mas essa superliga foi da Fabíola. Impecável na final e visivelmente mais madura. Concordo com a homenagem à Venturini, mas quem garante que desta vez a aposentadoria é definitiva? Já foram quatro. Ainda temos tempo hábil para que esse reconhecimento seja feito.

– o patrocinador do Osasco, a Nestlé, preparou camisetas especiais para a comemoração, mas cometeu uma gafe. A inscrição dizia: Bi-campeão, referindo-se aos títulos ganhos pela equipe sob o patrocínio da empresa. Muito bacana a ideia da camisa e o apoio financeiro ao time, mas a Nestlé não pode ignorar a história de 15 anos dessa equipe. O Osasco é penta!

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