O paradigma do levantador polêmico

Não era o dia dele, o Vôlei Futuro tomou um sonoro 3×0 em casa e, mesmo assim, aquela necessidade gratuita de atenção veio à tona de novo. Ricardinho, o levantador das polêmicas desde tempos de seleção brasileira, voltou a aparecer.  No terceiro set, depois de virar uma bola de segunda, o levantador provocou Dante, ex-companheiro de seleção e riu de maneira irônica e prepotente do time adversário.

Boatos dão conta de que ele aguarda a convocação para a seleção, depois de um longo inverno distante por causa de brigas internas com os companheiros e com o próprio Bernardo. Culpado por ter ‘rachado’ o grupo, ele parece não ter se redimido. No Vôlei Futuro, as orientações do técnico Cesar Douglas são visivelmente ignoradas e o levantador parece ter total controle sobre o time.

Casos de polêmica na posição não se restringem só a ele. No feminino, Venturini também leva a fama de ‘não bem quista’ no meio. Nas Olimpíadas de 2004, durante um de seus retornos de aposentadoria, encabeçou o movimento que ‘queimou’ a ponteira Mari, jogando sobre ela a responsabilidade pela derrota e instaurando a crise na seleção, depois daquele jogo fatídico e da eliminação contra a Rússia.

Nas seleções feminina e masculina, a sucessão dos levantadores parece seguir – ironicamente – uma ordem inversa de características. Maurício, o precursor de Ricardinho, fazia o estilo bom moço, jogador agregador de equipe. A mesma postura de Fofão, que assumiu a posição quando Fernanda se aposentou. Atualmente, com as instabilidades nas posições das duas seleções (Fabíola e Dani Lins / Bruninho e Marlon), ainda não se pode decretar o veredicto. Mas as cenas dos próximos capítulos dirão se Bernardo vai optar por um time fechado e consolidado ou dar o braço a torcer e lidimar Ricardinho como o melhor do mundo na posição.

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