O caso Lobão x Mano Brown ou A redenção de Paulo Lins

Em 2007, Paulo Lins era uma das estrelas da FLIP. Dividiu a mesa 19, “Sobre meninos e lobos”, com Ishmael Beah. A certa altura da conversa, o mediador pediu ao escritor carioca para contar como a poesia havia entrado na vida dele, dividindo espaço com o samba, que ele tinha contato desde pequeno no morro. Era a oportunidade perfeita [e, também, a intenção do mediador] para que Paulo levantasse a bola da sua comunidade, contando sobre os projetos sociais que incluíam o ensino de poesia e coisas do tipo. Mas, numa resposta que lhe garantiu a presidência do Clube dos Ego-Trip do Brasil, o escritor mandou na lata: “Acontece que eu já nasci poeta”.

Pronto, o estrago tava feito. Encontrei com ele por diversas outras vezes em eventos e palestras que foram até legais, mas a bendita da frase ego-trip martelava na minha cabeça e impedia aquela empatia que todo mundo tinha por ele desde a publicação de Cidade de Deus.

Mas eis que o mundo dá voltas e nada como outra FLIP para remediar o caso.

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Na última sexta-feira, depois de participar de uma mesa com André Barcinski na Casa de Cultura, em Paraty [que faz parte da programação paralela da festa], Lobão caminhava pelas ruas da cidade a procura de um lugar para jantar. Já havia vociferado, como de costume, as barbaridades que costuma dizer a torto e a direito na palestra e, nas ruas, parecia uma celebridade: chamava a atenção por onde passava com seus quase 2m de altura e cabelo desgrenhado e atendia atenciosamente aos fãs que o paravam no caminho.

Quando estava quase chegando ao restaurante Bartholomeu, que fica a uma quadra da Praça da Matriz, avistou Paulo Lins, que estava parado nas mesinhas em frente ao lugar. Sem pestanejar, o carioca sucumbiu ao mantra universal ‘perco o amigo, mas não perco a piada’, colocou as duas mãos em torno da boca e gritou para quem quisesse ouvir: “Mano Brown, Mano Brown, olha o Lobão dando sopa aqui!”.

Tá perdoado, Paulo Lins!


* Infelizmente, não presenciei a cena. Mas ela foi relatada por um casal de amigos que viu – e riu – de tudo.
** Para quem quiser ler sobre o caso Lobão x Mano Brown

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Foto do Facebook do Sax in the Beats

Foto do Facebook do Sax in the Beats

as calçadas estavam cheias. normal para a avenida mais famosa da cidade numa sexta-feira, no horário de pico. o trânsito também estava carregado, mas não parava. antes de sair de casa, tinha visto na tv uma manchete do jornal que alertava sobre um protesto de professores que tinha passado por ali horas antes. mesmo assim, as filas de carro não chegavam a incomodar o fluxo. o que impressionava era mesmo o número de pessoas nas calçadas. quando o ônibus apontou na paulista, saindo da consolação, olhei pela janela aquele mundaréu de gente e até pensei que fossem resquícios do protesto. mas não. era mesmo gente apressada numa sexta-feira tentando voltar pra casa ou encontrar os amigos para a hora mais esperada da semana.

enquanto o ônibus passava pelo center 3, dava pra ver que a multidão de gente que andava apressada na calçada perdia um pouco da urgência. as pessoas diminuíam o passo e formavam, inconscientemente, um público em torno de dois músicos que tomavam a calçada como palco. e não era apenas a boa música que chamava a atenção. uma espécie de zoomorfização [ou antropomorfização, caso prefiram] dava vida ao panda que tocava sax e ao cavalo na bateria. de tão prosaico, era metafórico: pessoas que se identificavam com músicos sem identidade.

de dentro do ônibus, eu, tão acostumada a novos lares, fui surpreendida por aquele velho clichê que todo mundo tenta refutar: a saudade. saudade daquilo que ainda nem tinha acontecido. coisas de mudança e pertencimento.

[portfólio] Alejandro Zambra rebate a síndrome do segundo romance

foto1_Alejandro_Zambra_credito_Mabel_MaldonadoPublicado no portal Saraiva Conteúdo
17 de maio de 2013

Alejandro Zambra rebate a síndrome do segundo romance

Quando o escritor chileno Alejandro Zambra lançou seu primeiro romance no Brasil, em 2012, foi um burburinho geral no mundo das Letras. Bonsai trazia um refresco para a literatura contemporânea com sua narrativa moderna, sua metaliteratura e intertextualidade.
Meses depois, Zambra veio ao país para participar da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty. Não deu outra: foi amor à primeira vista/leitura entre o autor e o público brasileiro.

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